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segunda-feira, 10 de março de 2014

Xadrez nas escolas? Vamos acabar com isso!



O jogo de xadrez é preconceituoso, racista, machista, pervertido, politicamente incorreto.

Já começa assim: brancas de um lado, pretas do outro. Um estímulo à segregação racial. Adivinha quais as preferidas? Brancas, claro, em 92,8% dos casos. E por quê? Porque são privilegiadas. As regras facilitam para elas. Sempre começam o jogo e podem escolher as melhores casas. 

No posicionamento do tabuleiro, casa branca à direita, preta à esquerda. Isso deve ter a mão dos comunistas ou da KKK. Malba Tahan não ousou calcular isso.

Os peões, coitados, subjugados, usados como escudos. Todos com uniforme proletário, não têm identidade própria. Deve ser para que se sintam parte do todo e não indivíduos donos do seu próprio eu. Têm direitos limitados e são os primeiros a ser sacrificados. Bois de piranha. Sociedade injusta, essa. São os únicos que sequer tem o direito de voltar atrás. Têm direito apenas a um passo duplo. Depois são tolhidos, apenas passos curtos lhes são permitidos, limitados, marchando para o sacrifício. Brigam entre eles, acabam sendo aniquilados pelos poderosos, certamente da direita ultrarradical. 

Ao serem comidos, eliminados, ninguém se importa. São jogados numa vala comum e o jogo continua. Menos um peão, apenas isso! Talvez quando o último for eliminado, porque não terão outro para sacrificar e fazer o serviço sujo, é que poderá surgir algum lamento. Nada mais.

É um cargo machista. Não mudou nem com o passar dos tempos. São todos homens, como se a mulher não tivesse o direito de lutar. Nem o feminino é conhecido ao certo: peoa, ou piorra? Na dúvida, deixaram apenas homens.

É um jogo que deveria ser laico, mas não o é. Não respeita a liberdade religiosa, o direito de escolha do próprio credo. Nunca vi um tabuleiro com pastores, pais de santo, rabinos ou xeiques. Só tem bispos. E eles não se entendem. Nada de amor ao próximo. O ódio racial fala mais alto. Ficam fitando as diagonais. Se puderem, se matam, se comem. 

Nesse jogo pode ter nascido a semente da pedofilia na igreja. É bispo comendo peão, comendo bispo, comendo rainha. Se facilitar, comem até cavalo. Quando encurralam o rei, o jogo acaba. Pelo menos o do rei escapa. 

Dizem que certa vez um árabe e um judeu estavam jogando amistosamente uma partida de xadrez, cada um com as peças da sua cultura, substituindo os bispos por xeiques e rabinos. Enquanto estava peão contra peão, primo contra primo, tudo ia bem. Mas até hoje não se sabe se foi quando o xeique quis comer o rabino ou o rabino quis comer o xeique que teria começado a guerra entre eles. As torres de ambos foram movidas dos cantos para a faixa de Gaza e até hoje está confuso por lá.

Os animais também não são respeitados. Trabalham muito, como cavalos, nunca em linha reta. Não raro são enviados para trás das tropas inimigas. E a zoofilia corre solta. É só facilitar e qualquer um pode comer o cavalo, dos peões ao rei. Não escapam nem da rainha nem do bispo. E cavalo come cavalo. Nem pensaram em colocar um casal de equinos para evitar isso. Jogo machista, que estimula o homossexualismo. 

O rei e a rainha até começam lado a lado. Mas nunca mais se encontram. Não há valorização da família. Uma rainha vive de olho no rei da outra. Facilita pra ver. Os reis ficam na deles. Mas se a rainha do outro dormir na casa ao lado, babaus! E tem briga de aranha também. Se puder, a rainha branca come a rainha preta ou a preta come a branca. Enquanto não chegam uma na outra, vão traçando os peões. Eles não têm chance. Dificilmente escapam quando uma rainha os persegue. Assédio sexual explícito. Ela come mesmo, se puder, um depois do outro. Alguns ainda as chamam de damas! Agem como dominadoras, donas do campinho. Assédio moral da pior espécie. Ou seria bullying? 

As torres são símbolo da opressão. Do capitalismo. A elas é dado poder imenso. Valem mais do que os cavalos, do que os bispos. Valem mais do que vários peões juntos. Materialismo puro! Claro que não é à toa. Tudo tem um simbolismo nefasto por trás. 

E às vezes, no meio do campo de batalha, com os exércitos em frangalhos, tabuleiro descoberto, quando um peão atinge a linha final, iludido com a libertação, o rei pensa em luxúria. Poderia pedir mais uma torre, um cavalo, um religioso, mas nem pensa nisso. 
Pede mais uma rainha. Mesmo que a dele ainda esteja no jogo. O rei fica com as duas, se precisar sacrificar uma, não diferencia a primeira da segunda. E o peão que chegou lá? Esqueceu, né? Todos esquecem. Foi trocado, ficou inútil.

Ainda dizem que é um jogo de estratégia, que estimula o raciocínio, que facilita a matemática, o pensar. Não passa de sem-vergonhice, um cenário racista, machista, da burguesia preconceituosa. 

Por essas e outras, deve estar certo quem acusou Monteiro Lobato de racista e pediu para banir o "Sítio do Pica-pau (notem que nome capcioso) Amarelo" (e ufanista) das escolas brasileiras. E eu que tinha tanto carinho pela Tia Anastácia, quase ternura. Descobri que fui manipulado sem perceber.

Falar sobre educação financeira? Hoje não. Sabe-se lá como podem interpretar isso...

Álvaro Modernell

2 comentários:

  1. 1) As peças pretas aguardam o primeiro movimento das brancas imprudentes para reagir com mais estratégia, mostrando claramente a superioridade intelectual das etnias afro descendentes.
    2) A rainha é peça mais poderosa e o rei a mais inofensiva evidenciando a superioridade da fêmea sobre o macho na nobreza.
    3) Os peões são as únicas peças numerosas em jogo, qualquer outra conta apenas com no máximo duas unidades evidenciado o poder das massas.
    4) Apesar do contexto religioso da idade média, os bispos não possuem símbolos da cruz cristã, o que denota a liberdade religiosa no jogo.
    5) Ao aproximar os cavalos um de frente para o outro aparece a figura de cálice ou taça que simboliza a sexualidade e fecundidade feminina, mostrando que os cavalos são na verdade éguas, representando a superioridade sexual das fêmeas.
    6) Quando uma peça vence a outra, a peça derrotada sai livremente do tabuleiro ao invés de passar a ser controlada pelo outro jogador introjetando uma cultura de liberdade e compaixão.
    7) Quando uma peça elimina a outra, diz-se que a primeira ”comeu” esta última, termo que claramente induz elementos próprios da cultura de liberalismo sexual e da substituição do sexo pela violência. "make love not war" - Faça amor, não faça guerra.
    8) Normalmente quando um peão consegue chegar ao outro lado do tabuleiro, a peça escolhida para ser ressuscitada é a Rainha porque a Rainha é a peça mais poderosa do jogo, reforçando a superioridade sexual das fêmeas.
    9) A jogada denominada “Roque”, que permite trocar a peça de lugar com a torre, somente pode ser realizada com o Rei, evidenciando a covardia e vulnerabilidade do rei.
    10) O fato de haver exatamente o mesmo número de peças brancas e negras simula a igualde entre as etnias, mostrando que os afro descentes abrem mão de possuir uma peça a mais em troca de conceder o primeiro movimento porque sabem reagir taticamente ao primeiro movimento obtendo vantagem.

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  2. Tem algum esporte ou jogo que os oponentes usem o mesmo uniforme? Desconheço. Quer ver uma confusão ótica? Faça um tabuleiro com casas rosas e amarelas, e peças vermelhas e verdes. Agora tente jogar cara pálida. As cores do xadrez, começa pela cor das casas e peças. Uma vez ouvi dizer que: "Dama" é café com leite, já o "Xadrez" é top. (rsrs)
    Voltando ao post infeliz e ao comentário mais infeliz ainda, saliento pra todos que não conhecem o esporte Xadrez que, a peça mais poderosa não é a rainha como foi dito aqui pelo Lucas. A peça mais poderosa é o Rei, sim o rei, porque se ele tombar (xeque-mate) o jogo acaba, pode ter jogo sem rainhas, depois de capturadas, mas sem rei, não há jogo.
    Basta olhar em qualquer manual de xadrez, que verás a nomenclatura; CAPTURAR peça adversária, e não "comer". Recomenda-se que para criticar um assunto, é de boa monta dominar todas as nuances, para não cair no erro básico de afirmar inverdades.
    O Rei deve ser protegido, claro, se ele tombar, acaba o jogo como já citei. Como em toda guerra e em todo exército, a maioria é de soldados (peões) mas parece que neste blog, deveríamos ter uma guerra onde todos fossem Generais, rsrs. Sim porque em qualquer sociedade por mais igualitária que possa parecer, haverá hierarquias. Quer uma prova? Imagine um local com todos iguais. Homens e mulheres. Claro que nesta sociedade haverá coitos, uma necessidade básica do ser humano, e claro que deste colóquio amoroso, nascerão filhos. Enquanto pequenos e até antes de crescerem, serão submissos e dependentes dos pais, ou quiçá de toda comunidade, aí, neste momento, haverá uma hierarquia, onde os adultos cuidam dos pequenos. Que terão direitos diferentes, e obrigação nenhuma. Logo mais direitos que os adultos. Consequentemente os adultos terão mais obrigações. Neste momento a sociedade já não é igualitária.
    Nos jogos de tabuleiros e em todos os outros jogos, na competição, a intenção é subjugar o oponente, vencer a partida, derrotar o adversário.
    Meus amigos em qualquer jogo, por mais lúdico que seja, haverá uma guerra, uma contenda, uma disputa. E vcs vem falar de racismo, e tendência cristã religiosa?
    Por fim, se a intenção do blogueiro é tirar o xadrez das escolas, com os argumentos apresentados, terá que ser contra todas as disputas que a disciplina "Educação Física" mostra, fala, expõe, ensina e pratica. Pois, em todos os jogos haverá situações citadas acima (cores opostas - guerras - disputas e afins).
    Convido-os a se inteirar das regras, e praticarem o esporte diariamente, por pelo menos meia hora. Certamente, verão que o exercício mental que o xadrez proporciona, ajudará seus praticantes a manterem uma mente ativa e saudável, livres do ócio mental, que leva a sequelas futuras nos idosos. Não se tem notícia de pacientes com Alzheimer que tenha jogado xadrez, ou seja, todos as pessoas que jogam xadrez, não adquirem a doença. Pois, o xadrez atua como um "alteres" para o cérebro. Inibindo a demência e o Alzheimer.
    As crianças que jogam regularmente o xadrez, tem um desempenho escolar acima da média, portanto, o Xadrez, não deveria sair das escolas, e SIM entrar nas escolas que não o tem.
    A capacidade de concentração aliado ao raciocínio rápido, ajudam os alunos na resolução de problemas e elucidações de problemas, que facilitam sua vida acadêmica.
    Aqui em Fortaleza, tive o prazer de participar do Programa Mais Educação, e na escola que ministrei o Xadrez, vi a mudança radical na postura e nas notas de todos os alunos envolvidos. Na época, houve um torneio municipal, e a escola foi campeã no masculino e no feminino. Houve melhoras das as notas em relação à média escolar. A Oficina de Xadrez fez a diferença.

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