Blog do Instituto Casa de Autores, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é fomentar a leitura e qualidade dos escritores no Brasil.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Carlos Drummond Andrade - 31 de outubro de 1902




As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma meia fujona apareceu na Festa da Família -Jardim de Infância 304 Norte





Procura-se uma meia fujona. Foi a contação da história "Cadê a meia?", de Elba GGomes, no evento Festa de Família, do Jardim de Infância - 304 Norte Tudo aconteceu no dia 16 de setembro.










A história foi partilhada com alunos e mães. As crianças contaram sobre suas meias, o que havia acontecido a muitas delas e desenvolveram as noções de "par", coisas que existem aos pares; peças do vestuário que são pares; partes do corpo humano que são pares etc.






Conversaram com as estrelas e com os peixinhos do mar. A sensação foi escutar dona conchinha com o barulhinho do mar e que contou para elas onde estava a meia. Por fim, descobriram dentro do livro as meias que estavam escondidas em cada página.



Após a contação da história, os pequenos fizeram uma atividade que consistia em formar pares de meias que estavam misturadas.

Iniciativas como essa estão florescendo em todo o DF, o que possibilita a integração da família às diversas atividades desenvolvidas pela escola, inclusive a leitura.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

PEDRAS !!!!




PEDRAS !!!!


Em todos os caminhos 
encontraremos Pedras !!!
Mesmo pertinho do final...
ainda as encontraremos !!!
Mas o que as Pedras 
podem nos ensinar ?
Que somos frágeis ?
Que somos pó ?
Quem somos ?
Senão pequenas partículas
de uma grande Pedra !!!

PASSARINHO E PASSARINHA


PASSARINHO E PASSARINHA




Passarinho queria conversar 
com Passarinha...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Fwd: convite oficial da flipiri

Caros e caras,
Com satisfação, convido-os para a 3ª Flipiri - Festa Literária de Pirenópolis.
Eu e mais um bando de escritores, mediadores e músicos estaremos por lá falando poesia, conversando e vivenciando a literatura.
As informações gerais estão em www.flipiri.com



--
João Bosco Bonfim
www.folhetodecordel.com.br
www.joaoboscobonfim.com.br
www.twitter.com/joaoboscobonfim

terça-feira, 26 de abril de 2011

GISELLA E AS BORBOLETAS !!!


GISELLA E AS BORBOLETAS !!!


Gisella criava Borboletas !!!
Sonhava poder viajar com elas...
Queria voar...
para bem longe..
la pertinho do 
coração !!!
Como realizar esse desejo ?
Imaginando ?
Sonhando ?
Escrevendo ?
Vivendo ?
Ahhh Borboletas !!!
Se eu soubesse 
conversar com vocês !!!


domingo, 27 de fevereiro de 2011

O PRÍNCIPE DOS ESCRITORES

            Acordei hoje com a notícia da morte de Moacyr Scliar. Desde o dia 17 de janeiro, quando foi internado para retirar um pólipo benigno no intestino e teve um AVC no próprio hospital, venho acompanhando, com preocupação, as notícias sobre sua saúde.

           No último dia 9 seus leitores e amigos agarraram-se à esperança: houve uma perspectiva de melhora, pensou-se até que a sedação poderia ser retirada. Que ele iria melhorar, enfim. Contudo, a situação acabou se complicando com o surgimento de uma infecção respiratória, levando-o à falência múltipla dos órgãos.

           Nascido em Porto Alegre, formado em medicina, profissão que exerceu até o fim com grande humanidade, ele tinha 73 anos e publicou mais de 70 livros de diversos gêneros literários: romance, crônica, conto, literatura infantil e ensaio. Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 2003 e ganhou o Prêmio Jabuti em 1988, 1993, 2000 e 2009.

          Li vários de seus livros, que tiveram grande influência na literatura de origem judaica (ele era judeu) e na literatura fantástica, e me emocionei especialmente com "O texto, ou: a vida - uma trajetória literária", de 2007, que é uma reflexão sobre a literatura de modo geral e de como, com sua força, ela foi entremeando-se na vida dele, como uma hera num muro.

        Sobre Moacyr, o escritor Menalton Braff, meu amigo, disse que ele era "o príncipe dos escritores brasileiros", por sua elegância, sua postura, a finura de seus gestos, sua calma e sua dignidade. Por experiência própria, sei que ele respondia a todos os escritores que lhe escreviam, embora recebesse cartas do Brasil inteiro, de centenas de escritores. Não fazia distinção entre famosos e iniciantes, lia tudo e comentava os livros, sempre com um olhar generoso, buscando realçar o que havia de positivo nas obras, estimulando, dando força.

          Enviei-lhe meu primeiro livro, meio com o coração na mão diante de um escritor de sua magnitude, e ele me mandou uma carta escrita à mão, que guardo como uma relíquia.

          Somente no ano passado é que o conheci pessoalmente, durante a 2ª Feira Literária de Pirenópolis, Goiás, à qual compareceu, a convite da agente literária Iris Borges, uma das organizadoras do evento. Embora o contato com ele tenha sido muito breve, pudemos trocar algumas ideias, já que estávamos hospedados na mesma pousada. Pedi que autografasse alguns livros que levei especialmente para isso, o que ele fez às 5 horas da manhã (como ele ia viajar muito cedo, deixei os livros na portaria). Quando acordei e o rapaz da pousada me devolveu os exemplares, senti que tinha em mãos algo muito precioso.

           Na véspera, ele tinha feito uma palestra na Feira, com sua voz pausada e discreta. Seu rosto revelava alguns sinais de cansaço, depois de ter feito longa viagem, de Porto Alegre ao interior de Goiás.

          Serei sempre grata a Iris Borges por ter promovido a participação dele na Feira, pois só assim pude conhecê-lo e entender a razão pela qual recebeu a alcunha de "príncipe dos escritores brasileiros".

         A única ideia que me consola nesse momento é imaginar a chegada de Moacyr Scliar ao paraíso. É muito provável que, nesse momento, Santa Teresa D'Ávila, grande escritora, esteja cochichando com San Juan de la Cruz:

- Temos novo companheiro, Juan.

                                                    - Ah, é? Veio de onde?

                  - Do sul do Brasil. Seu nome é Moacyr Scliar.

- Você já convocou os músicos?

                                  - Claro. Todos estão a postos para a cantoria começar. O coral dos arcanjos e dos querubins está se preparando há dias, ensaiando sem parar, para a recepção.

              Na enorme praça central do paraíso, todos os escritores e leitores já formam uma compridíssima fila à espera dos autógrafos, que serão feitos com uma caneta de ouro, presente de um dos serafins. É assim que vejo Moacyr agora, sempre perto de Santa Teresa D'Ávila e de San Juan de la Cruz, comendo ambrosia e ouvindo cantos celestiais.

 

Rosângela Vieira Rocha