Blog do Instituto Casa de Autores, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é fomentar a leitura e qualidade dos escritores no Brasil.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Entrevista
Amigos,
Há uma entrevista minha e um conto, intitulado "Quatro jilós", no blog abaixo. Se quiserem dar uma olhada, cliquem no endereço
http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/03/rosangela-vieira-rocha-entrevista.html Abraços, Rosângela Vieira Rocha
quinta-feira, 4 de março de 2010
Fwd: Rosa Morena, de Íris Borges, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília: É HOJE!!!
Título: Rosa Morena
Texto: Íris Borges
Ilustrações: Jô Oliveira
Editora: Callis
Após estrear como autora com a Coleção Eu Amo (Escritores, Livros, Ilustradores, Bibliotecas), Íris Borges lança agora mais um livro nascido da paixão pelos livros e pela vida: Rosa Morena, que conta a história de uma menina que ama muitas coisas (ver release, abaixo).
Esperamos vocês lá na Biblioteca Demonstrativa, hoje.
MERGULHE NESSA HISTÓRIA!
Uma menina encantadora, Rosa Morena tem uma infância
repleta de alegria e energia. Curiosa, ela descobre
o mundo ao seu redor. Delicada, ela vive cercada de
muito amor e afeto.
Assim mergulhamos em uma história singela e terna que nos mostra
simplesmente que Rosa Morena
SAIBA MAIS SOBRE QUEM ESCREVEU:
Iris Borges, a autora, nasceu em Coromandel, interior
de Minas Gerais. Teve uma infância livre e feliz,
como a Rosa Morena. Cresceu e se tornou professora,
psicóloga, livreira, contadora de histórias e agente
literária. Pessoas, natureza e livros, são muito importantes
para ela, e mesmo depois de "grande" ela
continua subindo em árvores e gostando muito de se
sentir como criança.
CONHEÇA MELHOR QUEM ILUSTROU:
Jô Oliveira, o ilustrador, nasceu na Ilha de Itamaracá,
e começou cedo nessa carreia, quando aos 6
anos de idade já esboçava seus primeiros desenhos.
Estudou na Escola de Belas Artes (RJ) e também na
Hungria, e logo percebeu a forte influência da cultura
popular brasileira em seus trabalhos. Conquistou
duas vezes o Prêmio Internacional Asiago de Filatelia,
já ilustrou mais de 40 livros, além de Histórias
em Quadrinhos.
POR QUE TER ESSE LIVRO?
• A obra tem ilustrações de Jô Oliveira, um ilustrador renomado
e muito conhecido por sua relação com a cultura
popular, especialmente o cordel.
• Uma ótima opção para a inclusão e exaltação
de afrodescendentes e da cultura
afro na escola e na sociedade.
• Todo o texto do livro é em letra
bastão, excelente para auxiliar
na alfabetização das crianças.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Autores da Casa são destaque no Correio Braziliense II
Íris Borges, Alexandre Lobão e Rosângela Rocha também são destaque nocaderno Diversão & Arte do Correio Braziliense desta sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010. Outro autor que aparece na mesma matéria é Eduardo Loureiro. Veja a matéria abaixo.
De Papai Noel a santos e heróis
Nahima Maciel
Nahima Maciel
| Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 26/11/09 |
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| Íris Borges entre seus pequenos leitores: "Sempre quis escrever livros sobre livros" |
Outros novos nomes da literatura infanto juvenil brasiliense também buscam se consolidar num mercado que cresce e absorve novas linguagens e nuances, como Alexandre Lobão, Rosângela Rocha e Íris Borges:
Verdade com magia
A experiência da paternidade levou Alexandre Lobão em direção à literatura infanto-juvenil. Foi para a filha que ele criou A verdadeira história de Papai Noel, narrativa publicada em 2008 com a qual procurava responder à dúvida da menina sobre a real existência do velhinho. "Inventei uma história e gostei. Depois escrevi dois outros livros usando a mesma experiência de pai." No ano passado foi a vez de Uhuru, a ficção histórica sobre escravidão e liberdade. Formado em ciência da computação e funcionário do Banco Central, Lobão escreve desde 1982, mas concentra suas histórias no universo adulto e juvenil. A incursão na literatura infantil veio com a necessidade de contar histórias para os filhos.
Formação
Depois de publicar quatro romances, Rosângela Rocha quis mudar o leme da própria escrita e decidiu investir na literatura infanto juvenil. Em 2008, A festa de Tati trouxe a história de uma menina com necessidades especiais. Rosângela queria levar as crianças a refletir sobre as diferenças, tema recorrente na literatura concebida para o público infantil. No ano passado, a autora resolveu visitar temas históricos com Dias de santos e heróis. Em 19 poemas, Rosângela conta a origem de certas datas cívicas e heróis brasileiros. "Gostei muito e acho que não paro mais de escrever para criança", garante. "Sempre tive uma inquietação (com literatura infanto juvenil) e tem horas que a gente fica desanimado. É muito importante a formação do leitor e sempre tive vontade de experimentar escrever para criança." Professora aposentada da Faculdade de Comunicação da UnB, Rosângela agora espera que alguma editora se interesse pelos outros quatro textos infanto juvenis concebidos no último ano.
No mundo dos livros
Íris Borges nunca pensou em escrever para crianças. Há mais de três décadas se dedica à promoção do livro e da leitura em Brasília. Já esteve à frente da Feira do Livro, presidiu a Câmara do Livro do Distrito Federal e fundou a Casa de Autores. Mas um amigo editor lançou a provocação e Íris aceitou. A série Eu amo… começou a ser publicada no ano passado e virou uma homenagem ao mundo do livro. "É uma declaração de amor", revela a autora. "Sempre quis escrever livros sobre livros." Em cinco volumes, a autora conta o processo de produção do livro desde a criação da narrativa até a publicação. Eu amo escritores, Eu amo ilustradores, Eu amo editoras, Eu amo bibliotecas e Eu amo livros conduz o leitor por esse universo. Este ano, Íris ainda lança Rosa morena, texto ilustrado por Jô Oliveira sobre uma menina que adora viver e está sempre alegre.
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Autores da Casa são destaque no Correio Braziliense I
Alessandra Roscoe e Beatriz Roscoe, assim como Raquel Gonçalves e Célia Madureira aparecem como destaque no caderno Diversão & Arte do Correio Braziliense desta sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010. Outro autor que aparece na mesma matéria é Eduardo Loureiro. Veja a matéria abaixo.
Para a criançada ler
Muitos começam contando histórias para os filhos, outros trabalham em educação e há aqueles que buscam um novo estilo literário. No fim da história, todos são escritores infanto juvenis de primeira
Muitos começam contando histórias para os filhos, outros trabalham em educação e há aqueles que buscam um novo estilo literário. No fim da história, todos são escritores infanto juvenis de primeira
Nahima Maciel
O livro infanto-juvenil foi o segmento mais produtivo no mercado de venda de livros no Brasil durante o ano de 2009. Uma pesquisa da Associação Nacional de Livrarias indica que a produção literária para crianças e adolescentes passou à frente da ficção e da religião. O segmento vende bem, mas também produz muito. A jornalista Alessandra Roscoe é um reflexo do fenômeno. Em 2006 publicou o primeiro livro e, desde então, assina cinco títulos disponíveis no mercado e tem mais seis para serem lançados este ano. Alessandra faz parte de um grupo de autores recém-chegados ao universo da literatura para jovens leitores. São escritores que descobriram o nicho nos últimos sete anos, gente que começou a escrever para o público mirim e não quer mais saber de outra coisa. Em Brasília, boa parte deles integra a Casa de Autores, instituição fundada pela livreira Íris Borges para reunir autores radicados na capital. A própria Íris, ao lado de cinco autores selecionados pelo Diversão & Arte, é estreante no mundo da literatura infanto juvenil. Veja abaixo o que há de novidade na produção brasiliense do gênero e quais são os novos nomes desse cenário.
Parceria em família
Foi a filha Beatriz quem motivou a jornalista Alessandra Roscoe a transpor para o papel as histórias contadas antes de dormir. A primeira, A menina que pescava estrelas, ganhou ilustrações da própria Bia, na época com 5 anos, e foi publicada em 2006. Pouco depois, a história da garota que roubava as estrelas do céu virou filme de animação e motivou a família a investir num segundo livro. O jardim encantado também nasceu da invenção de histórias que Alessandra conta todas as noites para Bia e os dois irmãos, Felipe e Luiza. "Minhas histórias partem do meu dia a dia com as crianças. Felipe estava estudando os bichos de jardim e em processo de alfabetização. Um dia, fazendo com ele a tarefa de casa, criei o texto que explora a musicalidade das palavras e trabalha a questão da diferença. Então fiz a história da joaninha que tem só uma pintinha."
A fada emburrada, terceiro a ser publicado e campeão de vendas entre as histórias assinadas por Alessandra, começou a tomar forma quando Bia ficou emburrada durante um almoço de família e O jacaré de bilé, inspirado em Felipe, ganhou ilustrações de Ítalo Cajueiro. Este semestre será a vez de O menino que virou fantoche. "O escritor de literatura infanto-juvenil ainda é considerado um escritor menor e isso é uma briga grande porque temos literatura infanto juvenil de altíssima qualidade. E literatura não tem idade", avalia Alessandra. "Estou lançando seis livros em um ano e é absurda a quantidade de editoras especializadas em infanto juvenis no Brasil. É um bom produto, apesar de toda uma cultura da não leitura e de pai que compra brinquedo, celular e tênis mas acha caro dar R$ 30 em um livro." Para o aniversário de 50 anos da capital, Alessandra também lançou Brasília em figurinhas, álbum que conta a história da cidade com texto e autocolantes de fotografias. "Foi adotado em várias escolas e a primeira edição, de dois mil exemplares, está esgotada." Para Luiza, Alessandra já tem prontas outras histórias.
Rato do acaso
Foi na Biblioteca Livre da Escola Classe 18, em Taguatinga, que Racumim e Racutia ganharam corpo e história. A dupla de professoras Maria Célia Madureira e Raquel Gonçalves Ferreira inventou os personagens para facilitar a aproximação entre as crianças e os livros. O sucesso levou os bichos para o papel. Célia e Raquel publicaram a primeira história de Racumim em 2005 com o título de Deu rato na biblioteca. Em seguida vieram Os amores de Racutia e O rato adormecido. "Na verdade a gente nem tinha a intenção de escrever livros, começamos a montar histórias para poder apresentar na escola e incentivar as crianças a irem à biblioteca, porque biblioteca em escola pública não é biblioteca, é puxadinho", lembra Célia. "Lançamos três livros, mas temos uns nove na gaveta." Enquanto as histórias não saem da gaveta, vestidas de Racumim e Racutia, Célia e Raquel encenam as narrativas inéditas na entrada da biblioteca e em outras escolas.
Inspiração escatológica
As histórias inventadas por Eduardo Loureiro não têm bailarinas, príncipes e princesas. Pode até ter gente de contos de fadas, mas eles nunca serão tão certinhos, limpinhos e organizados como os personagens clássicos. Os heróis de Loureiro falam de pum, meleca, morte e depressão. "Várias das minhas histórias tratam de questões mais delicadas. São assuntos que vêm de uma forma natural, penso que a gente não deve criar um mundo cor de rosa para criança, a criança tem habilidade de lidar com tudo", acredita o autor, que publicou o primeiro livro, A concha e a borboleta, em 2000. "Gosto de pensar que escrevo para a criança interna de todo mundo. Comecei fazendo textos que eram para adultos, mas com formatação infantil", avisa o professor de pedagogia e cronista cearense que veio morar em Brasília há três anos e guarda uma gaveta com 40 histórias inéditas em busca de uma editora.
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Foi a filha Beatriz quem motivou a jornalista Alessandra Roscoe a transpor para o papel as histórias contadas antes de dormir. A primeira, A menina que pescava estrelas, ganhou ilustrações da própria Bia, na época com 5 anos, e foi publicada em 2006. Pouco depois, a história da garota que roubava as estrelas do céu virou filme de animação e motivou a família a investir num segundo livro. O jardim encantado também nasceu da invenção de histórias que Alessandra conta todas as noites para Bia e os dois irmãos, Felipe e Luiza. "Minhas histórias partem do meu dia a dia com as crianças. Felipe estava estudando os bichos de jardim e em processo de alfabetização. Um dia, fazendo com ele a tarefa de casa, criei o texto que explora a musicalidade das palavras e trabalha a questão da diferença. Então fiz a história da joaninha que tem só uma pintinha."
A fada emburrada, terceiro a ser publicado e campeão de vendas entre as histórias assinadas por Alessandra, começou a tomar forma quando Bia ficou emburrada durante um almoço de família e O jacaré de bilé, inspirado em Felipe, ganhou ilustrações de Ítalo Cajueiro. Este semestre será a vez de O menino que virou fantoche. "O escritor de literatura infanto-juvenil ainda é considerado um escritor menor e isso é uma briga grande porque temos literatura infanto juvenil de altíssima qualidade. E literatura não tem idade", avalia Alessandra. "Estou lançando seis livros em um ano e é absurda a quantidade de editoras especializadas em infanto juvenis no Brasil. É um bom produto, apesar de toda uma cultura da não leitura e de pai que compra brinquedo, celular e tênis mas acha caro dar R$ 30 em um livro." Para o aniversário de 50 anos da capital, Alessandra também lançou Brasília em figurinhas, álbum que conta a história da cidade com texto e autocolantes de fotografias. "Foi adotado em várias escolas e a primeira edição, de dois mil exemplares, está esgotada." Para Luiza, Alessandra já tem prontas outras histórias.
Rato do acaso
Foi na Biblioteca Livre da Escola Classe 18, em Taguatinga, que Racumim e Racutia ganharam corpo e história. A dupla de professoras Maria Célia Madureira e Raquel Gonçalves Ferreira inventou os personagens para facilitar a aproximação entre as crianças e os livros. O sucesso levou os bichos para o papel. Célia e Raquel publicaram a primeira história de Racumim em 2005 com o título de Deu rato na biblioteca. Em seguida vieram Os amores de Racutia e O rato adormecido. "Na verdade a gente nem tinha a intenção de escrever livros, começamos a montar histórias para poder apresentar na escola e incentivar as crianças a irem à biblioteca, porque biblioteca em escola pública não é biblioteca, é puxadinho", lembra Célia. "Lançamos três livros, mas temos uns nove na gaveta." Enquanto as histórias não saem da gaveta, vestidas de Racumim e Racutia, Célia e Raquel encenam as narrativas inéditas na entrada da biblioteca e em outras escolas.
Inspiração escatológica
As histórias inventadas por Eduardo Loureiro não têm bailarinas, príncipes e princesas. Pode até ter gente de contos de fadas, mas eles nunca serão tão certinhos, limpinhos e organizados como os personagens clássicos. Os heróis de Loureiro falam de pum, meleca, morte e depressão. "Várias das minhas histórias tratam de questões mais delicadas. São assuntos que vêm de uma forma natural, penso que a gente não deve criar um mundo cor de rosa para criança, a criança tem habilidade de lidar com tudo", acredita o autor, que publicou o primeiro livro, A concha e a borboleta, em 2000. "Gosto de pensar que escrevo para a criança interna de todo mundo. Comecei fazendo textos que eram para adultos, mas com formatação infantil", avisa o professor de pedagogia e cronista cearense que veio morar em Brasília há três anos e guarda uma gaveta com 40 histórias inéditas em busca de uma editora.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
ONDE BROTAM OLHOS D'ÁGUA
Rosângela Vieira Rocha*
Como será a Casa de Autores em 2015? Funcionará numa linda casa cor-de-rosa? Ou seria também verde, lembrando as cores da Mangueira? Situada no Plano Piloto ou no alto de Sobradinho? Os móveis serão em estilo inglês, como sonha uma das autoras? Pelo menos três escritores já terão conquistado o Prêmio Jabuti? Iris Borges, a coordenadora do grupo, finalmente poderá se dedicar apenas ao agenciamento dos autores e à sua própria carreira literária? E atualmente, o que a Casa representa para cada um dos dezesseis escritores presentes, de um total de vinte e dois? Muito? Pouco? Traduz amparo, força, alegria ou desamparo, tédio, decepção?
Temas como esses, versando sobre o presente e o futuro, foram discutidos na terceira imersão anual dos autores da Casa, realizada no último fim-de-semana (6 e 7), em Olhos D'água, distrito de Alexânia, a oitenta quilômetros de Brasília. É uma cidadezinha bucólica e simpática, muito atraente para quem gosta de natureza, de fazer trilhas e de tomar banho de rio e de cachoeira. Como o próprio nome indica, a água brota em diferentes pontos, cristalina e fria. Eu estivera lá há muitos anos, participando da Feira de Trocas, que tornou a cidade famosa na região.
A maioria ficou hospedada na Pousada do Professor Armando, que eu nunca poderia imaginar que fosse o meu antigo e brilhante professor Armando, que dava aulas de literatura no CIEM – Centro Integrado do Ensino Médio, colégio vinculado à Universidade de Brasília, lamentavelmente extinto pela ditadura, no início da década de setenta. Fiquei feliz ao ver que seu fortíssimo sotaque português permanece igual, assim como sua verve. Logo na entrada da pousada, há uma deslumbrante árvore de cinamomo, com seu delicioso e incomparável perfume.
As discussões não poderiam ter sido num cenário mais encantador: a casa, ou melhor, o complexo de casas do escritor João Bosco Bezerra Bonfim, ligeiramente afastadas da cidade, que nos acolheu em meio às suas violetas, orquídeas e florzinhas miúdas, com direito a incontáveis cafés com bolos e pães caseiros feitos por sua mulher, a bela e hospitaleira Marilda, que à noite nos serviu caldo verde e de grão de bico, além de quibe assado, acompanhados de torradas e vinho.
Dizem que os vinhos eram realmente bons. Abstêmia, fiquei no refrigerante mesmo, usufruindo do excelente papo de Marcelo Pio, que, além de escritor, é psicanalista. Pode parecer paradoxal, mas enquanto comíamos, falávamos, entre outras coisas, de anorexia, tema do meu romance "Fome de Rosas".
O sarau de sábado seria ao ar livre, ou melhor, ao redor da fogueira, que no final da tarde já estava acesa, mas as discussões sobre as questões práticas da Casa foram até as nove da noite, quando o fogo já ia alto e a chuva caía. Além da publicação e da divulgação de nossos originais, discutimos a formação de leitores e de mediadores de leitura, modos de participação em feiras de livros, cursos, oficinas e outros eventos literários em Brasília, nas cidades circunvizinhas, no resto do país e – por que não dizer – no mundo. Sobretudo agora, que a Casa está se transformando no Instituto Cultural Casa de Autores, há que se mirar o futuro, sempre ele, para traçarmos a caminhada.
O surpreendente dessa imersão foi constatar que, embora tradicionalmente encontros de escritores sejam vistos como uma batalha de egos, uma verdadeira fogueira de vaidades, conseguimos nos despir da competição, da inveja, da mediocridade, da mesquinharia e de seus conjuntos nefastos e vestir novos trajes, feitos de pérolas e fios de ouro, cortados em tecidos de seda e idealizados por estilistas diferentes, espirituais, que costuram com materiais mais nobres, intangíveis, como respeito, amizade e solidariedade. Cada um viu o colega não como um competidor, mas como seu igual, um irmão, e nos reunimos em torno da grande mãe, a Literatura. Tal fato adquire um caráter ainda mais impressionante quando se leva em conta que, por ser um grupo democrático, o nosso é constituído por autores mu ito diferentes, em termos de formação e de faixa etária, que trabalham com gêneros literários diversos, voltados para públicos diferenciados.
O alto astral que permeou o encontro é, sem dúvida, poderoso indicador de que houve um amadurecimento autêntico dos autores da Casa desde o seu início em 2008, ano da nossa primeira imersão. Rosa ou verde, própria ou alugada, com móveis ingleses ou em estilo barroco, a Casa transformou-se em lar, capaz de acolher os seus membros, com poderes até mesmo para ralhar com eles e para mimá-los, quando necessário.
É apenas um palpite, mas ouso dizer que não foi por acaso que a cidade de Olhos D'água, com seu belíssimo e significativo nome, foi escolhida para nos receber. Tudo se torna fértil e verde nas proximidades das fontes perenes, onde até dos troncos cortados nascem novos brotos, surgem brilhantes folhas, flores desabrocham em locais inesperados. Valeu a pena ter participado dessas horas de congraçamento, valeu a pena ter estado presente como escritora e, sobretudo, como ser humano.
*Rosângela Vieira Rocha é jornalista, professora, escritora e membro do grupo Casa de Autores desde sua criação.
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